Vitória Efeito de texto e desenho de logotipo Nome

É extremamente gratificante sair de uma sala de cinema após assistir a uma produção como Vitória, novo filme da “highlander” Fernanda Montenegro que aos 95 anos, se mostra plena e em capaz atividade interpretativa. Acredito que esse é o único caso no vasto elenco que o cinema Brasileiro possui atualmente.

Dirigido por Andrucha Waddington de Eu, Tu, Eles e também responsável por 40 episódios da excelente série Sob Pressão, Vitória foi escrito por Paula Fiuza do curta Luzes Coloridas no Final da Rua e Fábio Gusmão da série documental Volta Priscila. No elenco além de Fernanda Montenegro que dispensa comentários, também estão presentes Linn da Quebrada, Laila Garin, Alan Rocha e Sacha Bali.

Vitória foi baseados em fatos ocorridos no Rio de Janeiro nos anos 90 quando uma senhora de 80 anos conseguiu sozinha provas suficientes e irrefutáveis para conseguir prender quase 30 pessoas envolvidas com o tráfico de drogas e corrupção policial na Barra da Tijuca.

O diretor Andrucha Waddington apostou todas as suas fichas em Fernanda Montenegro pois ele tinha certeza que ela daria conta do recado. E deu. Carregou o filme nas costas e provou com toda maestria que lhe é peculiar que não devemos parar nunca. Enquanto nosso corpo estiver respondendo aos comandos do nosso cérebro, e aqui me permitam aqui fazer um pequeno trocadilho com os títulos de alguns filmes dos anos 80: parar nunca, desistir, jamais. E é isso que vemos em Fernanda Montenegro. 

Fernanda Montenegro é uma atriz tão excelente que em seu filme anterior, Ainda Estou Aqui ela aparece em uma única cena a qual não fala nada, mas sua expressão diz tudo e ainda consegue emocionar. Muito poucas atrizes no mundo conseguem chegar a esse patamar. Uma carreira sem escândalos aonde todos os trabalhos por ela escolhidos fazem o público Brasileiro se emocionar seja em teatro, cinema ou televisão desde a década de 50.

Um dos pontos mais interessantes da personagem Nina, interpretada por Fernanda Montenegro é que em momento algum ela se faz de vítima. Após inúmeras e frustradas idas a polícia para relatar a situação perigosíssima da comunidade aonde mora sozinha, ela resolve por conta própria reunir provas para que alguma boa alma escute seu apelo. Ela decide então, comprar uma filmadora e de sua janela em meio a desvios de balas perdidas que tentam achar inocentes alvos aleatórios e a ver amigos serem baleados, mortos e seduzidos pelo tráfico ela consegue tirar de circulação quase 30 pessoas entre assassinos, traficantes e policiais corruptos de circulação. E só não foi morta no processo porque a pessoa que foi mandada para executá-la teve pena de fazer pois fora ajudada por ela várias vezes.

O diretor Andrucha Waddington consegue equilibrar muito bem o drama dos personagens, mesmo que o filme seja 90% concentrado em Fernanda Montenegro com alguns momentos de alívio cômico e tensão devido a situação em que a personagem principal está inserida.

Fernanda Montenegro em cena de Vitória

Sou totalmente a favor que uma corrente seja feita para que essa produção tenha a mesma campanha de Ainda Estou Aqui e seja inscrito em vários festivais e amostras ao redor do mundo para que Fernanda Montenegro seja indicada a algum prêmio na categoria de melhor atriz principal. Prêmio mais que merecido. Sua filha a atriz Fernanda Torres, é muito boa profissional também, mas ainda tem muito chão pela frente para chegar pelo menos perto do que a mãe se tornou. Sei também que esse meu desejo é quase impossível de ser realizado, porque como citei várias vezes em inúmeros comentários meus, o maior inimigo do cinema Brasileiro é o próprio cinema Brasileiro.

Minha nota para esse filme é:

Número 9 - ícones de educação grátis