Como toda indústria que trabalha com entretenimento, Hollywood tem seus pontos positivos e negativos. Um dos principais pontos positivos é que, quando ela quer, nenhum outro mercado de produção bate qualidade de suas produções. E um dos grandes pontos negativos é quando seu sistema encontra uma forma de rápido retorno financeiro, o público é bombardeado com produções de medíocres a muito ruins apenas com o intuito de promover algo o qual já sabemos o que vamos ver antes mesmo de comprarmos o ingresso.
É isso que acontece exatamente com o novo filme do astro atual dos filmes de ação Jason Statham. Que era uma verdadeira máquina de fazer filmes e só em 2023 nos entregou 4 filmes em que ele faz parte do elenco principal. Como idade é um fator que pesa não só para os grandes astros e estrelas de Hollywood, mas para todos nós, pobres mortais, a partir de 2024, Jason Statham está se programando para nos entregar apenas uma ou no máximo duas produções por ano. Em 2024 ele nos entregou o interessante Beekeeper – Rede de Vingança, que mesmo sabendo o que vamos ver, os redatores e produtores conseguem encaixar uma ou duas novidades para satisfazer a um gênero que já está mais do que na hora de se renovar, pois se não fizer isso, Jason Statham vai acabar se tornando mais um Liam Neeson “da vida” trabalhando apenas para, como dizemos, pagar os boletos e não nos entregando nada de novo, apenas uma justificativa medíocre para a busca de uma arrecadação que fica cada vez menor a medida que essa fórmula está ficando chata e cansativa.
Dirigido por David Ayer de O Cobrador de Impostos e Beekeeper, Resgate Implacável foi roteirizado por ninguém menos que Sylvester Stallone, o próprio diretor David Ayer , que também contribuiu para o roteiro e Chuck Dixon, roteirista de várias animações recentes do Batman. Quando fui pesquisar a cerca dessa produção, confesso que me entusiasmei, a princípio, pois de inovação e de ação esses três roteiristas entendem. Olha aí ele chegando, o famoso mas. Mas, o roteiro foi uma verdadeira colcha de retalhos de filmes do Stallone, quem acompanha a carreira dele, vai ver vários copia e cola de Cobra, Rambo e outros filmes do ator e da mesma linha diretória do comandante da produção. Em Beekeper, pelo menos houve algum ponto de vista novo, uma produção mais caprichada, aqui em Resgate Implacável, nem isso.
Quando você tem um ator 100% singular e linear como Jason Statham, mas tem um elenco de apoio bom, isso faz muita diferença e ajuda bastante na produção. Mas (olha ele aí de novo) quando o elenco de apoio é formado por atores mais lineares e mais singulares que o protagonista, o resultado não poderia ser outro senão o que vemos na tela. Atuações medíocres, soluções e sequências que desafiam a inteligência do público assistente. Quando fiz o meu comentário na Joven Pan News de Fortaleza 92,9 eu ainda não havia conferido o filme. A única exigência que fiz foi que os produtores não brincassem com a inteligência do telespectador para o filme não sair com esse nível entregue.
Todo o elenco, tanto o “do núcleo do bem” quanto o do “núcleo do mal” está patético e, na minha opinião, não vence nem convence, nessa produção que poderia não ter sido feita e ter seus recursos economizados para uma futura produção bem mais caprichada, com um roteiro bem mais elaborado e novos pontos de vista para não tornar o mais do mesmo tão cansativo como está atualmente.
Sylvester Stallone tem que entender que não estamos mais nos anos 80 e 90 aonde tudo se resolvia na pancadaria e no machismo. A década de 2000 veio para provar que a informação e a tecnologia abrem bem mais portas do que a força bruta. É por isso que os críticos mais “modernos” e que não viveram muito as décadas de 70, 80, 90 e início dos anos 2000 acham que quase todos os filmes envelheceram, quando na verdade o cinema é cíclico e adaptável aos novos costumes e um bom roteiro ou uma boa ideia, por mais que sejam antiquadas, jamais ficaram velhas, apenas precisam de uma atualização como tudo hoje em dia.
Minha nota para esse filme é: