
O Pai da Noiva é uma comédia sobre casamento, mas o verdadeiro enfoque não é a união entre Annie Banks e Bryan MacKenzie. O centro dramático do filme é a separação simbólica entre um pai e sua filha. Charles Shyer e Nancy Meyers conseguem transformar com excelência essa experiência dolorosa numa comédia familiar luminosa, elegante e sentimental. O resultado é um filme que alterna humor físico, conflitos domésticos, nostalgia e emoção sem transformar a despedida numa tragédia.
O Pai da Noiva ainda consegue permanecer envolvente porque trata de um sentimento universal: o desejo impossível de proteger aqueles que amamos de todas as mudanças, inclusive das mudanças necessárias para que sejam felizes. O filme de 1991 é uma refilmagem do homônimo O Pai da Noiva, lançado em 1950, dirigido por Vincente Minnelli e protagonizado por Spencer Tracy, Joan Bennett e Elizabeth Taylor. Na produção original, Stanley Banks descobre que sua filha Kay vai se casar e precisa enfrentar os custos e a confusão da cerimônia. A história foi baseada no romance de Edward Streeter e adaptada por Frances Goodrich e Albert Hackett. Nancy Meyers e Charles Shyer atualizam o contexto para o início dos anos 1990. O casamento torna-se maior, mais sofisticado e mais comercializado.
O Pai da Noiva tem no elenco principal os excepcionais atores plurais Steve Martin e Diane Keaton. Steve Martin entrega um George Banks perfeito para os anos 90, combinando humor físico, ironia, irritação e vulnerabilidade. Sua interpretação é menos excêntrica do que em diversas comédias anteriores. Embora participe de situações absurdas, Steve Martin mantém o personagem próximo da realidade emocional, pois também entrega delicadeza nos momentos dramáticos. A conversa com a filha, a entrega no altar e a dança final com Nina funcionam porque o ator abandona o exagero e a caricatura de personagens anteriores. Diane Keaton interpreta Nina como o contraponto de George. Enquanto ele reage ao noivado com medo, ela responde com alegria e disponibilidade, sabendo que também sofrerá com a saída da filha, mas não transforma esse sofrimento em resistência. Compreende que criar filhos significa prepará-los para seguir caminhos próprios. Ela é o centro emocional mais estável da família. Acolhe Annie, negocia com George, participa dos preparativos e tenta impedir que a ansiedade do marido prejudique o casamento. Diane Keaton oferece elegância, humor e naturalidade. Sua química com Steve Martin faz com que George e Nina pareçam um casal que realmente compartilhou muitos anos de vida.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é a crítica à comercialização do casamento. George imagina uma cerimônia familiar e relativamente simples. Entretanto, cada etapa revela uma nova surpresa e também uma nova despesa. O número de convidados cresce, o custo da alimentação aumenta e a casa precisa ser reformada. O casamento deixa de ser apenas uma celebração do amor e torna-se um produto. George percebe que está inserido num mercado estruturado para transformar emoção em consumo.
Charles Shyer adota uma direção clássica e transparente. O objetivo não é impressionar pela técnica, mas permitir que atores, diálogos e situações conduzam a experiência. A direção consegue equilibrar dois tons diferentes. O filme contém situações quase farsescas, como a prisão e a visita aos MacKenzie, mas também precisa preservar a sinceridade do relacionamento entre pai e filha. Gosto muito da forma em que a edição é apresentada: o filme começa depois da festa e retorna ao mesmo momento no final. Desde o início sabemos que o casamento ocorreu. A pergunta não é se Annie vai casar, mas se George conseguirá aceitar.
Outro ponto que devemos prestar atenção ao assistirmos O Pai da Noiva é o design de produção da casa, que se torna essencial para a identidade do filme. Ela é espaçosa e valorizada, mas não possui a frieza de uma mansão. A cozinha, a escada, os quartos e o jardim transmitem sensação de uso e história. O compositor Alan Silvestri entrega uma trilha sonora suave e nostálgica sem exageros.
A recepção crítica foi um tanto quanto dividida. Alguns críticos consideraram a produção excessivamente sentimental, conservadora e previsível. Outros elogiaram Steve Martin, a eficiência do humor sem muito exagero e a capacidade do filme de atualizar uma história clássica. O crítico Roger Ebert observou as limitações da obra, mas reconheceu seu profissionalismo, simpatia e apelo familiar. Concordo plenamente com ele. O Pai da Noiva estreou nos Estados Unidos em 20 de dezembro de 1991. Arrecadou aproximadamente US$ 7 milhões em seu primeiro fim de semana e chegou a cerca de US$ 89,3 milhões no mercado norte-americano, segundo os dados históricos atualmente disponíveis no Box Office Mojo. Nada mal para uma produção que teve um orçamento registrado de cerca de US$ 20 milhões.
O Pai da Noiva é uma comédia sentimental, previsível e socialmente idealizada. Mas também é um filme sincero sobre uma das experiências mais difíceis da paternidade: reconhecer que os filhos não foram criados para permanecer sob nosso controle. Mais de três décadas depois, o filme ainda conserva seu poder porque, por trás dos exageros, fala de um sentimento reconhecível. Todos aqueles que amam profundamente alguém conhecem o impulso de desejar que o tempo pare. Mas o amor verdadeiro não paralisa a vida.
Minha nota para esse filme é:

Maravilhoso esse filme ! Tanto quanto o 2 são nostálgicos e ao mesmo tempo nos remete ao papel de pai de menina .. nos colocamos no lugar de George .. rs..
Muito massa esse filme! Comedia emocionante