
Em um trivial dia de leituras informativas diárias sobre díspares assuntos cinematográficos, me deparei com um consenso quase que absoluto, o qual sou veementemente contra: o consenso de que os filmes de Jason Statham já não são mais precisos no cinema e que temos muitas produções e atores melhores. O único ponto em que concordo nas matérias que li é o ponto de que o cinema está sim precisando de filmes melhores e não de filmes que são vendidos como sérios e desafiam a inteligência do público e da crítica.
Isto posto, o nosso comentário de hoje é sobre o novo filme do linear, carismático e divertido ator Jason Statham (Linha de Frente e A Espiã que Sabia de Menos). Dirigido por Ric Roman Waugh de Destruição Final 1 e 2 e também Invasão ao Serviço Secreto. Missão Refúgio foi escrito por Ward Perry em seu 4º trabalho como roteirista e o qual irá deixá-lo mais conhecido. No elenco temos Jason Statham fazendo o que sabe fazer melhor porque atualmente ele é o melhor no que faz. A jovem e excelente atriz Bodhi Rae Breatnach de Hamnet, em seu segundo trabalho para o cinema, provando que vai ser uma das grandes atrizes em um futuro não muito distante. O veterano Bil Nighy para dar aquele ar de seriedade a trama e o ator Francês coadjuvante de luxo Bryan Vigier.
Junte toda essa amálgama de atores e atriz em um filme de ação e o resultado que temos é o melhor de “mais do mesmo”. Um filme com produtores Americanos e uma produção de ação totalmente nos padrões, estalões e arquétipos do cinema Europeu. Esse foi o maior acerto do diretor Ric Roman Waugh. Acredito que se essa produção tivesse sido feita nos mesmos padrões do filme anterior de Jason Statham, Resgate Implacável, o resultado final teria sido tão ruim quanto foi a produção citada.

Eu sempre critico quando as mesmas ideias são mostradas sempre da mesma maneira e defendo quando vemos o mesmo sobre um novo ângulo. Missão Refúgio fala de proteção, culpa, retorno e, principalmente sobre a impossibilidade de uma isenção moral depois da violência.
Jason Statham encara mais uma vez o personagem que não é inocente, mas se torna “do bem” quando sua violência passa a servir à proteção dos indefesos e que sempre deixa aquela velha perquirição sem resposta: proteger alguém apaga o mal ou os males que foram cometidos antes?
O site Rotten Tomatoes só vem ratificar o que eu citei no início dessa matéria, pois a aprovação da crítica ficou em 63% e a do público em cerca de 87%. Ou seja Jason Statham assim como Chuck Norris, Van Damme, Schwarzenegger, Liam Neeson e Stallone são precisos e jamais irão deixar as salas de exibição. Missão Refúgio é uma produção que acaba sendo bastante competente na execução, mas peca um pouco por ser conservador na invenção. Ric Roman Waugh foi a escolha certa para esse projeto, pois costuma trabalhar personagens sob pressão total, em narrativas de resistência e sobrevivência, sabendo lidar com ação física e ambientes hostis.
Mas infelizmente, esse tipo de filme, por melhor que possa ser tem que se reinventar e Jason Statham mesmo vendendo mesmo que bem esse tipo de filme de ação, já não está mais conseguindo transformar qualquer projeto mediano em sucesso robusto de bilheteria.
Resumindo: Missão Refúgio é mais um filme que terá mais potência como ativo de catálogo digital do que como fenômeno de bilheteria. É o tipo de obra que vai terminar se pagando em VOD (Vídeo Sob Demanda), streaming futuro e consumo doméstico, porque conversa diretamente com um público que procura confiabilidade genérica e já sabe o que vai ver quando escolhe ou aluga: “um bom Statham num sábado à noite”. Isso não é desprezível comercialmente, mas é diferente de um sucesso cinematográfico pleno.
Minha nota para esse filme é:
