
Adaptar um jogo para o cinema, é sempre um desafio. E um desafio maior ainda quando o jogo adaptado é sucesso mundial. É esse o duplo repto que Mortal Kombat 2 tem a enfrentar, pois tem que entregar fidelidade ao material original e também ter autonomia para se justificar como filme e não como um demo do game.
Mortal Kombat 2 que é o segundo filme para o cinema dirigido por Simon McQuoid (o primeiro foi Mortal Kombat 1 de 2021), tenta mostrar exatamente esse dilema contemporâneo. O filme surge como uma resposta direta às críticas do longa de 2021 (que é muito fraco, na minha opinião) — ampliando em larga escala a ação, violência e fan service (quase que totalmente) — e ao mesmo quer ser também um produto industrial que tenta consolidar a franquia no modelo de blockbuster. E quando falamos em violência aqui, não é exagero. Tanto que o filme recebeu a classificação indicativa de 18 anos.
No elenco principal, Mortal Kombat 2 traz o canastrão e linear Karl Urban da nova fase de Jornada nas Estrelas, Jessica McNamee de volta como Sonya Blade, a novata Adeline Rudolph de Hellboy e o Homem Torto, Ludi Lin e Mehcad Brooks reprisando seus papéis de Liu Kang e Jax e o melhor em cena de todos, o alívio cômico Josh Lawson também retorna como Kano. Tirando o ator Josh Lawson, todo o resto do elenco está natural como uma porta de ferro e parece só estar atuando para pagar as contas do mês.

Mortal Kombat 2 reforça aquilo que já foi mostrado no primeiro filme: a história é um pretexto para as lutas quase que idênticas as do video-game. Ao invés de querer “inventar” história e encher linguinça, o diretor aposta numa montagem episódica, quase como fases de jogo. E para quem não é muito fã de games como eu, isso é um dos grandes acertos desse filme.
Ao término da sessão, fiquei curioso qual iria ser a classificação etária dessa produção. Não fiquei nada impressionado quando soube que vai ser 18 anos. Achei uma decisão acertada dos distribuidores. A violência aqui é mostrada de forma explícita em um ritmo quase gore.
Mesmo tendo uma sensível melhoria técnica, o roteiro continua com a profundeza de um pires. E esse é um dos grandes problemas, porque nos games, a repetição do combate gera engajamento com a participação do jogador. No cinema, essa repetição pode se tornar monotonia. O filme, portanto, depende exclusivamente da estética para manter o interesse — o que limita sua profundidade.
Mas, justiça seja feita, se existe outra decisão acertada nessa produção é o desvelo ao game o qual esse longa é baseado. Mortal Kombat se consolidou como um dos maiores games de sucessos do gênero de luta, com forte apelo comercial e cultural. A própria indústria reconhece isso: a franquia mantém uma base global sólida e continua relevante décadas após sua criação.
minha nota para esse filme é:
