
Carl Franklin é um daqueles atores/diretores que mesmo com bons trabalhos no cinema, se encontrou como diretor na TV. Entre seus trabalhos no cinema, vamos falar hoje de um esquecido ótimo trabalho entregue por ele no ano de 1995: O diabo veste azul.
O Diabo veste azul é estrelado por Denzel Washington, e se trata muito mais do que um simples filme noir (gênero cinematográfico de suspense, geralmente criminal, normalmente ambientado nos anos 40 ou 50, que é caracterizado por um ambiente sombrio, cínico e pessimista.) ambientado em Los Angeles no pós-Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma obra que reconfigura os códigos do gênero ao inseri-los numa realidade racial, econômica e moral profundamente marcada pela segregação estrutural dos Estados Unidos. Além de Denzel Washington o elenco também tem as participações de Jennifer Beals de Flashdance, Don Cheadle, o Máquina de Guerra dos recentes filmes dos Vingadores e Tom Sizemore de Estranhos Prazeres e O Resgate do Soldado Ryan.
Um dos cernes principais em O diabo Veste Azul está na perspectiva racial. Easy Rawlins (Denzel Washington) não é apenas um detetive improvisado; ele é um homem negro tentando sobreviver em um sistema que o marginaliza. Easy Rawlins representa o sujeito que busca autonomia em um mundo estruturalmente injusto.

Um dos pontos interessantes dessa produção é que os roteiristas Walter Moesley de Sempre em Menor Número e o diretor Carl Franklin é que o protagonista não é o herói clássico que estamos acostumados a ver. Ele mente, manipula e, em certos momentos, se aproxima da violência. Porém, suas ações são moldadas por um contexto de opressão. O filme sugere que a moralidade não é absoluta, mas condicionada pelas circunstâncias. E uma inovação ao gênero é a introdução de um personagem principal negro, algo historicamente ausente neste gênero. O filme não apenas reproduz o estilo noir — ele o reinterpreta criticamente.
O Diabo Veste Azul transcende o gênero policial ao se tornar um comentário social sobre raça, dinheiro e poder. Sua força está em usar a estrutura do noir para expor uma realidade histórica muitas vezes ignorada pelo cinema.
O diabo Veste Azul foi bem melhor recebido pela crítica do que pelo público, tendo uma receptividade de 92% por parte dos críticos e “apenas” 72% por parte do público segundo o site rotten tomatoes. E mesmo tendo essas qualidades todas citadas, essa produção foi um fracasso de bilheteria. Teve um custo para ser realizado de 22 milhões de dólares e só arrecadou pouco mais de 16 no mundo.
O diabo Veste Azul está disponível no streaming da Prime.
Minha nota para esse filme é:
