MESTRES DO UNIVERSO – CHEGOU PERTO, MAS AINDA NÃO FOI DESSA VEZ

Um dos filmes pelo qual estava mais torcendo esse ano era Mestres do Universo. Estava bastante esperançoso porque de todos os outros filmes dessa temporada: Dia D, Homem-Aranha, Toy Story 5, Supergirl, Moana e A Odisseia, já sabemos o que vamos ver, enquanto que Mestres do Universo era uma total incógnita. Travis Knight foi a escolha certa para comandar essa produção porque já provou saber lidar com nostalgia sem depender só dela. Bumblebee tinha coração, clareza visual e respeito por uma franquia antiga. Em Mestres do Universo, ele parece repetir a estratégia: dar emoção humana a um universo que poderia facilmente virar apenas fantasia digital barulhenta. A direção precisa resolver um desafio enorme: ter que fazer Eternia parecer fantástica sem parecer artificial. O tom ideal fica entre espada e feitiçaria, ficção científica colorida e aventura juvenil.

O universo de He-Man sempre foi uma mistura estranha — bárbaros, magia, tecnologia, monstros, castelos, naves e robôs. O filme abraça essa excentricidade, com críticas destacando justamente a presença da nostalgia dos anos 80, batalhas robóticas, espaçonaves e fantasia exagerada. Isso é positivo porque Mestres do Universo não deve tentar parecer “realista”. A franquia funciona melhor quando assume sua identidade absurda e grandiosa. Além do mais, Mestres do Universo tem um desafio triplo na minha opinião:  homenagear o desenho dos anos 1980, corrigir a desgraça que foi o filme de 1987 e lançar uma nova franquia cinematográfica. O resultado é mais bem-sucedido como aventura nostálgica e colorida do que como grande obra dramática. O filme de 1987 era limitado e muito preso à Terra. O de 2026 tenta corrigir isso ampliando Eternia, assumindo a mitologia e usando efeitos de blockbuster moderno.

O filme tem Nicholas Galitzine como Adam/He-Man (não fez feio, mas decepcionou um pouco), a Brasileira Camila Mendes como Teela (a melhor do núcleo dos heróis), Idris Elba como Duncan/Mentor, Jared Leto como Esqueleto (o melhor do núcleo dos vilões), Alison Brie como Maligna e Morena Baccarin como a Feiticeira. A trama coloca Adam retornando a Eternia após anos afastado, encontrando o reino dominado por Esqueleto e precisando aceitar seu destino como He-Man.

Travis Knight optou por tentar mostrar a diferença entre força e poder. He-Man não é apenas “o mais forte”. A narrativa insiste que a força física só ganha sentido quando se submete a uma ética: proteger, restaurar, unir e sacrificar. Esqueleto representa o oposto: poder como posse, domínio e ressentimento. Ele quer Grayskull como instrumento de controle. O filme não reinventa a jornada do herói. Ele a executa de forma direta. Isso é força e fraqueza. Funciona porque He-Man sempre foi mito simples, quase arquetípico. Mas também limita a surpresa: a história avança por etapas previsíveis. O diretor também vem de Bumblebee, e isso aparece na tentativa de equilibrar espetáculo com afeto. Ele não trata o material como piada pura, mas também não tenta torná-lo sombrio demais. O tom é camp, familiar, heroico e autoconsciente.

A recepção está dividida, mas melhor do que se poderia esperar para uma franquia difícil. O Rotten Tomatoes indicava 66% da crítica e 88% do público, enquanto a Forbes registrava, dois dias após a estreia, cerca de 69% da crítica e 88% do público. Isso sugere uma divisão clara: críticos veem limitações de roteiro e tom; o público tende a responder melhor à nostalgia, ação e diversão. O orçamento informado pelo The Numbers é de US$ 170 milhões. No primeiro dia, o filme somava cerca de US$ 11,75 milhões domésticos e US$ 11,79 milhões mundiais registrados na base, com estreia doméstica em 3.677 cinemas. Esses primeiros números não são muito animadores, pois uma produção de US$ 170 milhões normalmente precisa fazer algo na faixa de US$ 400 milhões ou mais mundialmente para ser considerado confortável, dependendo do marketing, acordos de distribuição e receitas posteriores.

Como Mestres do Universo é produzido pela Amazon MGM/Mattel, temos que incluir nessa equação também valor de marca, streaming futuro, brinquedos e potencial de franquia. O problema: a abertura inicial não parece explosiva para um orçamento tão alto. O ponto positivo é que o filme pode ter pernas se o público familiar responder bem e se a nostalgia impulsionar vendas internacionais. Que é provavelmente o que vai acontecer. Mas como ainda temos pouquíssimos dias de lançamento, Mestres do Universo ainda está em zona de risco: precisa de boa sustentação de bilheteria, mercado internacional e receita de marca para justificar seu custo.

Minha nota para esse filme é:

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