
O promissor e pouco conhecido diretor Bart Layton acertou em cheio em seu novo filme: Caminhos do Crime. Layton também assinou o roteiro juntamente com Don Wilson de A vida e Morte de Boby Z. O elenco dessa produção também foi muito bem escolhido e conta com: Halle Barry da cinessérie X-Men, Chris Hemsworth e Mark Ruffalo, o Thor e o Hulk dos Vingadores, Barry Keoghan de O Sacrifício do Cervo Sagrado, Monica Barbara de Top Gun Maverick e os veteranos Nick Nolte e Jennifer Jason Leigh fazendo participações especiais.
Bart Layton adotou em Caminhos do Crime um ritmo parecido com os dos filmes do diretor Michael Mann mas com uma visão diferente, proporcionando ao espectador um belo espetáculo visual, cenas de ação bem filmadas, um elenco entrosado, uma trilha sonora envolvente e um elenco trabalhando sem estrelismos nem exageros.
Um dos temas principais abordados nessa produção é a ética em um sistema aonde não existe nenhuma. A perseguição entre o ladrão “ético e metódico” e o detetive obstinado vira uma disputa entre os dois lados da lei. O ladrão, que tem suas próprias regras pessoais para reduzir danos, manter o controle e se autopreservar, e do outro lado, temos o policial que luta contra um sistema viciado que finge que segue as regras, mas que exige uma “cegueira seletiva” e está mais preocupado com a imagem do departamento do que no bem estar do seu pessoal.

Bart Layton nos apresenta a uma Los Angeles em que a contradição é mostrada de forma bastante explícita: de uma lado temos uma cidade em que tudo é claro e bonito por fora, enquanto que os personagens se movem num nevoeiro moral por dentro todos com seus defeitos e dilemas. Afinal, o certo e o errado sempre dependeu do lado em que você está.
Nesse embate entre o criminoso e sua ética (Chris Hemsworth) e o policial obcecado (Mark Rufalo) temos a personagem de Halle Berry, que é o elo que desmonta a falsa pureza dos polos. Não é só “femme fatale” nem “vítima”: é o personagem do cálculo social, alguém que enxerga o crime como atalho e a lei como fachada. O que ela traz ao filme é aquela asserção incômoda: às vezes, a diferença entre o “honesto” e o “criminoso” é o tipo de acesso que cada um tem às oportunidades.
Caminhos do Crime trata a integridade como algo que você precisa sustentar sob pressão e não como essência. Exatamente por isso é que as seguintes questões são levantadas: Não é se os culpados “vão ser pegos?”, mas “quem vai se tornar aquilo que despreza?”.
De acordo com o Numbers, o orçamento de Caminhos do crime foi de cerca de 90 milhões de dólares e até o fechamento dessa matéria já havia arrecadado no mundo cerca de 36 milhões, ou seja, pouco mais de 1/3 do que foi gasto. Como o lançamento foi mundial, ainda é cedo para afirmarmos se esse filme vai dar lucro ou prejuízo.
Caminhos do Crime é menos um “filme de assalto” e mais um estudo sobre como pessoas tentam preservar dignidade dentro de um jogo indigno. Sua essência é amarga, pois o sistema não premia o certo e sim o funcional.
Minha nota para esse filme é:
