A primeira boa surpresa de 2026 veio bem mais cedo do que o esperado com Socorro!, novo filme do diretor Sam Raimi que conseguiu pegar várias ideias que deram errado em produções passadas e as fez dar certo em uma produção que começa tímida e toma um surpreendente e inesperado rumo para melhor.

Os roteiristas Damian Shannon e Mark Swift de S.O.S Malibu, da nova versão de Sexta-feira 13 e de Freddy Vs. Jason (todos esses filmes muito ruins) acordaram inspirados quando escreveram o roteiro de Socorro!  – pois conseguiram entregar um filme repletos de plot-twists que são as famosas reviravoltas e surpresas inesperadas nos roteiros que mudam drasticamente e normalmente desafiam a inteligência do público assistente, mas que nesse específico caso, são necessárias e totalmente oportunas ao andar dessa produção.

No elenco principal vou citar apenas os dois atores que importam a essa produção: Rachel McAdams dos excelentes O diário de uma paixão e Dr.Estranho e Dylan O’Brien da cinessérie Correr ou Morrer.

Socorro! é recheado de pistas públicas e também muito bem nutrido com a poética de Sam Raimi, completamente anafado de poder, humilhação, punição,  humor físicos e aquele velho toque de gorismo (o bom e velho terror explícito) que muita gente não gosta – eu inclusive – mas que aqui faz parte da narrativa e não poderia deixar de estar presente.

Socorro! pode muito bem ser resumido como um terror de sobrevivência + humor sombrio, sádico e com humor na dose certa, com ênfase na dinâmica invertida e na tensão entre como os personagens principais são apresentados e a verdadeira natureza deles. Sam Raimi nos traz algumas interessantes reflexões durante esse filme: o poder é mérito, posição, força, narrativa ou competência prática? e também, quando a instituição some (empresa/lei/regras), o que sobra: cooperação ou dominação?

A dualidade da hierarquia humana é mostrada de forma bastante explícita por Sam Raimi quando o roteiro nos mostra que não é apenas um jogo de um que manda e outro que obedece, mas sim a ideia de que o Senhor depende do reconhecimento de quem o serve. No ambiente empresarial o chefe manda porque o sistema assim o permite, mas quando o ambiente muda quem passa a mandar é quem tem o controle da garantia da sobrevivência, ou seja, a ilha transmuta a autoridade simbólica em autoridade operacional — e isso tende a humilhar o chefe, porque a hierarquia vira uma fantasia sem infraestrutura. No escritório, Bradley (Dylan O’Brien) é  um chefe vazio e sem competência; na ilha, aos poucos ele vê que isso não quer dizer nada. Socorro! prova se ele consegue existir sem plateia, sem e-mail, sem cargo e sem organograma.

Socorro! infelizmente só peca por ser um tanto quanto longo em demasia. 113 minutos que poderiam caber muito bem e sem exageros em 100.

minha nota para esse filme é: