
O ano de 2025 foi bom tanto para o cinema quanto para os streamings em termos financeiros, mas, infelizmente não foi um ano muito bom em termos de qualidade nos lançamentos. As projeções do mercado para bilheteria global de 2025 ficaram na casa de US$ 33 bi (estimativa antecipada) e chegaram a US$ 34,1 bi, até o fechamento dessa matéria.
O “aviso do ano” foi bem claro: quando o filme vira evento, o público sai de casa — e paga mais caro por IMAX, salas premium, poltronas VIP, experiência. Isso virou parte principal da estratégia de exibidores para crescer receita mesmo sem recuperar 100% do volume arrecadado antes da pandemia.
A Disney fechou 2025 com cerca de US$ 6 bilhões em bilheteria global (valores fornecidos pelo estúdio), e os principais motivos desses números foram “Zootopia 2” e “Avatar: Fogo e cinzas”.
“Zootopia 2” aparece como o parâmetro do ano: referência de abertura e de velocidade para cruzar marcas grandes que se tornou a animação de maior arrecadação do estúdio. Tirou o Podium de Frozen e sua turma.
O ano de 2025 consolidou os animes como força de bilheteria e de cultura pop: Demon Slayer: Infinity Castle foi um verdadeiro fenômeno global e recordista em arrecadação do gênero. Outro filme importante a se comentar foi Pecadores que virou o grande destaque 2025 por mostrar originalidade, ser grande, ter identidade e ter acertado em cheio na campanha de marketing.

No Brasil, 2025 foi um ano de contradições: pois mesmo com o crescimento de público nos cinemas e também de assinaturas nos serviços de streaming, o nosso cinema teve muito pouco espaço tanto na tela grande quanto na telinha de casa. De acordo com a Ancine, o VoD (video on demand) no Brasil segue em expansão, com mais de 138 mil títulos identificados. E lá vem ele….MAS nas 5 plataformas líderes de audiência, a oferta é de apenas 6,3% de obras brasileiras (sendo 3,4% independentes). Sem a plataforma brasileira líder, esses números caem para 2,7% (e 2,2% independentes). A desculpa utilizada pela Ancine é que isso também é um problema de circulação e licenciamento, pois muitos títulos brasileiros aparecem em só em uma ou no máximo 2 plataformas; e parte relevante do acervo histórico simplesmente não está disponível amplamente no VoD. O que vem a reforçar a minha teoria de que o maior problema do cinema Brasileiro é o próprio cinema Brasileiro que não se impõe e abre totalmente as pernas para ser “engolido” pelo cinema mundial, principalmente o estadunidense. Nunca, desde a criação desses serviços, tivemos tantos títulos disponíveis e tantas plataformas. Em contrapartida o conteúdo de filmes Brasileiros mal chega aonde está a grande audiência devido a um catálogo totalmente fragmentado. O nosso cinema pode até existir no streaming, falta só o streaming parar de fingir que ele não existe. Quando o cinema Brasileiro quer, o cinema Brasileiro consegue fazer. Exemplo disso são as produções Ainda Estou Aqui, e O Agente Secreto. Filme com identidade, com marketing e apoio, com estratégia de lançamento e sem querer funcionar tentando copiar as grandes produções Americanas.
Isso na minha opinião é péssimo, pois cria uma grande contradição no Brasil: mais consumo digital e mais catálogo, porém menos visibilidade efetiva para o conteúdo brasileiro onde a audiência está concentrada.
Os serviços de streaming aderiram e se entregaram por completo aos planos mais baratos e com aquelas inconvenientes propagandas que atrapalham em muito a experiência de ver um filme ou uma série. MAS como a grande maioria do público não liga muito para a qualidade e sim para o preço, essa realidade está se tornando cada vez mais presente nos serviços de streaming mundo a fora. Oro todos os dias para que essa prática não chegue aos cinemas.
No Reino Unido, uma matéria resume essa inflexão: os planos com anúncios estão ultrapassando os sem anúncios em adoção, puxados por pressão de preço/custo de vida e pela maturidade do mercado. Os streamings estão apostando cada vez menos na corrida por assinantes a qualquer custo e cada vez mais na margem e no lucro, ficando cada vez mais baratos, mais aceitos e mais rentáveis. Li uma frase sobre os streamings que me chamou bastante atenção: “Streaming não vive mais de lançamento. Vive de hábito.”
2025 mostrou uma mudança na janela de lançamento dos filmes para o streaming, mostrando que nem todo filme tem que ter a mesma janela de lançamento e que um filme evento (Avatar, por exemplo) ainda depende bastante das salas e do tempo em cartaz. Também tivemos a constatação que os filmes médios e as produções que foram grandes demais para os streamings e pequenas demais para o cinema acompanhado de uma não muito bem estruturada campanha de marketing não funcionaram.
Mesmo com o crescimento da bilheteria global, menos filmes sustentaram mais salas de exibição com o crescimento do ticket médio, mostrando que o exibidor não quer mais volume, ele prefere por mais valor pago nas sessões. Ou seja, você está indo menos ao cinema, mas está “escolhendo melhor” e pagando mais caro por isso.
A aquisição da Warner pela Netflix também foi um ponto crucial e de mudança para o mundo do cinema/streamings em 2026 cuja tendência está sendo de reorganização estrutural com menos streamings e maior concentração de catálogos nas mãos de quem pagar mais.
O que 2025 está tendenciando para 2026 tanto nos cinemas quanto nos streamings: Menos filmes, mas filmes mais caros. As animações, as sequências e os animes vem com força em 2026. Os streamings terão mais anunciantes, mais pacotes, mais promoções. O conteúdo médio ou vai mudar radicalmente ou tende a desaparecer Ou seja, 2025 não foi o ano do cinema contra o streaming, foi o ano em que cada um aceitou o que é, e parou de fingir que é outra coisa.
Ótimas colocações!!!!