Manual Prático da Vingança Lucrativa 🎬difícil saber quem é o vilão da  história

Às vezes a pura falta de opção nos leva a conferir filmes interessantes. Esse foi exatamente o caso que aconteceu comigo quando conferi Manual Prático da Vingança Lucrativa, segundo filme do pouquíssimo conhecido diretor John Patton Ford, que também é responsável pelo roteiro. No elenco o carismático e meio sem sal Gleen Powel de Top Gun Maverick, Margaret Qualley de Tipos de Gentileza, Jessica Henwick da série Punhos de aço e uma participação especial do veterano Ed Harris de A Rocha.

Segundo o famoso dito: “A ocasião faz o ladrão” , o filme Manual Prático da Vingança Lucrativa prova que isso não é verdade. A ocasião apenas o revela e o meio aflora ainda mais os sentimentos ocultos que temos, sejam esses sentimentos bons ou ruins. Essa produção tenta se vender como como thriller de comédia sombria sobre mobilidade social  pelo pior caminho possível: o protagonista, Becket Redfellow, foi rejeitado por uma família “obscenamente rica” e decide eliminar todos os parentes para ficar a herança. Alguns críticos dizem que esse filme é inspirado no filme Kind Hearts and Coronets (1949), um clássico de humor macabro aristocrático.

O diretor John Patton Ford optou pela narrativa em flashback, tirando o foco principal do como e tentando se concentrar no porque, criando assim uma ironia: uma ironia: o “manual prático” vira um tutorial que falhou, mas cuja falha pode ser lida como “falha operacional” e não moral (o que é perturbador e interessante).

Um bom filme que aborda o tema comédia sombria ou comédia de humor negro, como preferirem, não pode e nem deve se atentar a ideia principal, o roteiro tem que ser inventivo e inovador para que o filme não se torne chato e repetitivo. Manual Prático da Vingança Lucrativa acerta e erra nesses itens, e isso é, ao mesmo tempo, o grande trunfo e a grande falha dessa produção.

John Patton Ford tenta mostrar que algumas pessoas são tão pobres que a única coisa que elas tem é dinheiro. Deixando assim de serem um conjunto de indivíduos e passando a virar instituição: o dinheiro passa a virar personagem. Um risco tentado pelo diretor (e que funcionou na minha opinião) é fazer o espectador não sentir nada pelos alvos se ninguém for minimamente humano ou simpático — e isso reduz o impacto emocional das mortes. Mas esse “problema” também pode ser lido como intencional, poie ele transforma vítimas em símbolos da classe, para que a sátira funcione. O Protagonista (Gleen Powell) vê a ocasião e se revela pois está ressentido com o que lhe foi “tirado”.

Infelizmente devido a péssima campanha publicitária, Manual Prático da Vingança Lucrativa foi muito mal nas bilheterias. Seu orçamento de 15 milhões de dólares não se pagou até agora. Segundo o Boxofficemojo a arrecadação no mundo até o fechamento dessa matéria estava em aproximadamente 6.300.000,00. Ou seja, mais outro fiasco na carreira de Glen Powell.

Minha nota para esse filme é: