Família de Aluguel | Trailer da estreia no cinema já disponível | Disney+

Segundo o dicionário, família tem o seguinte significado: agrupamento humano unido por laços biológicos, legais ou, principalmente, afetivos, que geralmente compartilham um espaço e a solidariedade. Mas ao sair da sessão para a imprensa de Família de aluguel, eu descobri que família tem um sentido muito mais amplo que esse. Com previsão para estrear em nossos cinemas no dia 8 de janeiro, Família de Aluguel impressiona na simplicidade de seu roteiro e na profundidade dos seus ensinamentos, mostrando de maneira simples e direta o que significa família.

Dirigido pela promissora diretora Japonesa Hikari em seu segundo trabalho para o cinema, Família de Aluguel mostra a história de Philliip (Bredan Fraser) um ator Americano que por ter se atrasado para um serviço acaba indo trabalhar em uma agência de família de aluguel na cidade de Hong Kong. Assumindo vários papeis durante seu horário de serviço, Phillip vai mudando aos poucos as vidas das famílias que o contratam. Em consequência disso, a dele também. Só que essa “empresa” a qual Phillip acaba por ficar trabalhando tem uma regra bastante clara: faça o serviço, não misture vida real com personagem. Só que Phillip começa a se importar de verdade — e aí o filme tensiona a ideia central: qual o sentimento é realmente “autêntico” quando o afeto começou como produto?

Família de aluguel é um dos raros filmes com o ritmo bem lento que tive o privilégio de conferir nesses últimos anos que me prendeu a atenção durante toda sua projeção. A diretora Hikari usa o trabalho do personagem Phillip como uma comparação a nossa vida cotidiana, pois nós assumimos papeis durante toda nossa vida e muitas vezes não nos damos conta e acabamos por funcionar no “automático”. O interessante dessa produção é que o personagem principal vivido por Bredan Fraser realmente começa a se importar com as vidas que ele passa a fazer parte.

Essa produção consegue mostrar o lado menos bonito de Hong Kong de uma forma linda e real, aonde as pessoas são de verdade, os sentimentos são verazes e as consequências são concretas e os resultados verdadeiros. Bredan Fraser dá show como uma interpretação melancólica, mas sem nenhum melodrama.

Família de aluguel está sendo muito bem recebido por onde tem estreado. De acordo com o site Rotten Tomatoes a crítica o está aprovando em cerca de 87% e o público em cerca de 96% com cerca de aproximadamente 1.200 reviews. Família de aluguel mostra de maneira bem clara e objetiva as consequências de se brincar com os sentimentos das pessoas ao mostrar de maneira clara e objetiva como vivemos em um mundo aonde a solidão faz parte e é tão basilar que já está sendo amplamente terceirizada. A diretora evita grifar emoções, confia no silêncio, nos gestos pequenos e na ideia de que a solidão moderna não é histérica, em alguns casos ela é inevitável, infelizmente, pois ficamos bem cientes que encenação nem sempre é uma mentira. Muitas vezes por meio de uma encenação é que conseguimos tocar em algo de verdadeiro. Esses sentimentos começam como itens de um contrato, mas alguns desses sentimentos não seguem o serviço para o qual foi contratado. E um dos poucos desacertos da diretora é justamente não aprofundar essas consequências emocionais. Nem sempre as soluções para os problemas apresentados são rápidas e suaves como ela procurou mostrar.

Família de Aluguel é um drama bastante emotivo, bem interpretado e emocionalmente probo, que fala sobre solidão, pertencimento e afeto num mundo de contratos. Funciona um pouco melhor em seus  silêncios do que em suas resoluções e prefere o conforto da empatia à coragem do confronto. Acredito que também funcionaria muito bem ou até talvez melhor se fosse lançado em forma de seriado com alguns episódios dedicado a cada família. Mesmo assim, é  um filme lindo, triste e delicado e um dos melhores em um 2025 que foi bem aquém das expectativas qualitativas em termos de produção.

Minha nota para esse filme é: