É incrível que por melhor que seja uma animação, boa parte da magia original fica perdida quando vemos as sequências que os estúdios lançam com o passar dos anos. O cinema atual seja em qual for o gênero lançado está necessitando urgentemente de uma ideia original. Esse é exatamente o caso em Zootopia 2, nova animação da Disney, continuação do megasucesso de 2019, e que não é ruim, de forma alguma. Mas além de não ter a novidade do original, faz algumas referências a sucessos do cinema que não serão compreendidos pelo público alvo (as crianças) e somente serão apreciadas por um público bem mais velho que gosta de cinema.

Para essa sequência voltam Jared Bush e Byron Howard. Rich Moore que co-dirigiu o primeiro não retornou para essa continuação. O elenco de vozes originais continua o mesmo do primeiro filme. Ginnifer Goodwin, Jason Bateman e Jared Leto retornam com as adições de Ke Huy Quan, Andy Sandberg e Patrick Warburton. No elenco de vozes dubladas também retornam Mônica Iozzi e Rodrigo Lombardi no elenco principal com a adição de Danton Melo e Samira Fernandes.

Zootopia 2 fala de temas importantes como: amizade, confiança e respeito. Tudo abordado na mais pura forma Disney de ser, e para o meu alívio, com muito pouco uso do “politicamente correto” que estraga a maioria das produções de hoje.

Alguns dos melhores personagens da primeira parte não tiveram, na minha opinião, a participação merecida nessa sequência. O  grande número de novos personagens e a duração dessa animação (108 minutos, exatamente a mesma duração da primeira parte) fizeram esse item ser algo inevitável, infelizmente. Comparações com a primeira parte são inelutáveis, principalmente nos quesitos prêmios e arrecadação.  Zootopia 1 foi agraciado com o Oscar de melhor animação e conseguiu arrecadar mais de um bilhão de dólares mundialmente. Feitos esses que essa sequência dificilmente conseguirá atingir. É claro que a arrecadação vai ser boa, mas o problema é que Zootopia 2 foi lançado em um momento errado, tendo que concorrer com Wicked 2 e com o não muito distante Avatar 3. Essas duas produções vão atrapalhar bastante a arrecadação final de Zootopia 2. A Disney deveria ter repensado essa data de lançamento e ter aplicado uma estratégia semelhante a de Wicked 2, que foi antecipado devido ao receio de ter que concorrer com Avatar 3 no final do ano. Acredito que se tivesse sido lançado nas férias de julho ou ter esperado mais um pouco até janeiro de 2026 os resultados teriam sido bem mais satisfatórios.

Temos que levar isso tudo em consideração pois Zootopia 2 chega em um momento não muito bom para as produções da Disney em que a falta de originalidade tem pesado na balança arrecadatória do estúdio. A solução para ela não fechar o ano no prejuízo tem sido trazer de volta franquias de sucesso como Moana 2 no final do ano passado e nos vindouros Toy Story 5, em junho, e Frozen 3 em novembro do ano que vem nos cinemas. Isso nos leva a uma triste conclusão: Zootopia 2 só saiu do papel devido a uma necessidade comercial e não artística. Esse fator pode também prejudicar um pouco a arrecadação final dessa produção.

Como citei antes, a Disney entregou um filme sem ousadia e sem se arriscar muito no politicamente correto, evitando temas polêmicos, pois isso também pode prejudicar o faturamento. Ela (a Disney) preferiu entregar uma produção que pode até não gerar o lucro esperado, mas com certeza não vai dar prejuízo.

Minha nota para esse filme é: