O diretor Grego Yorgos Lanthimos vem se firmando como um dos diretores mais originais e polêmicos do cinema moderno. Seus filmes são reconhecidos por serem originais e únicos, com muito humor negro, linguagem surrealista em demasia, mas sem exageros pois tudo faz parte do contexto apresentado, narrativas bizarras, diálogos que fazem o espectador elucubrar sobre questões existenciais, amor e a própria condição humana. Um diretor original que consegue consubstanciar vários gêneros em uma só produção. Com essa introdução, ele nos entrega uma de suas produções mais originais desse ano, Bugonia. Um filme que, como eu afirmei na manchete dessa matéria é um dos melhores desse ano, mas que eu não recomendo, pois é perturbador e profundamente impactante.

Apenas 3 nomes formam o elenco principal de Bugonia. Emma Stone, sua amiga e colaboradora em 4  de seus filmes. Jesse Plemons do recente Assassinos da Lua das Flores e Aindan Delbis em seu primeiro trabalho para o cinema e mandando muito bem revelando que tem futuro na carreira.

Como já faz parte de sua linha de trabalho, Yorgos Lanthimos mistura 3 gêneros principais em Bugonia: a ficção, o drama psicológico e a comédia de humor negro (essa última não apreciada por grande parte do público assistente). Pelo menos internacionalmente, Bugonia está sendo muito bem recebido tanto pelo público quanto pela crítica. O site Rotten Tomatoes o aprovou com cerca de 87% em mais de 270 críticas e 84% em mais de 1.000 comentários do público do mercado Americano e Canadense. Previsto para estrear no Brasil em 27 de novembro, Bugonia está em exibição em poucos países. Estados Unidos, Canadá, Portugal e Itália são os mercados aonde ele está sendo exibido até o fechamento dessa matéria. Ou seja, essas recepções tanto de público quanto de crítica podem mudar de acordo com os costumes e modo de pensar de cada mercado exibidor.

Bugonia já começa a ser diferente em sua trama principal: Michelle Fuller (Emma Stone), CEO da megafarmacêutica Auxolith é sequestrada por Teddy Gatz (Jesse Plemons), um apicultor/conspiracionista paranoico, e seu primo Don, autista, que o ajuda. Teddy está convencido de que Michelle é uma alienígena da raça “Andromedans”, infiltrada na Terra com a missão de destruir toda vida humana do planeta.

Bugonia deixa o espectador com vários questionamentos ao final de quase 2 horas de projeção (1 hora e 58 minutos para ser mais exato). Questionamentos do tipo: O que é pior: um conspiracionista delirante ou um sistema real que age como se fosse de outro planeta?.

Segundo o próprio diretor, esse filme não é exatamente uma distopia, mas um espelho do presente: o mundo já parece distópico mesmo sem alienígenas (E o pior é que ele tem toda razão).

Para quem tem curiosidade de saber o que significa Bugonia (muitas pessoas me perguntam o que esse vocábulo significa), eis aqui uma breve explicação: O título “Bugonia” remete ao mito antigo de gerar abelhas a partir de um animal morto, baseado em uma antiga crença ritualística – símbolo estranho de regeneração a partir da putrefação. É uma metáfora perfeita para um sistema que promete cura e vida a partir da exploração e da morte. O filme critica fortemente a teoria que o verdadeiro “ataque alienígena” é a maneira como o ser humano (via corporações) age contra o próprio planeta e é uma completa vítima da total desinformação devido a rapidez com que as fake news, os fóruns de tudo quanto é porcaria que se espalham por um mundo cada vez mais sem escrúpulos.

Minha nota para esse filme é: