
Dos 12 trabalhos do diretor John McTiernan para o cinema, 3 entraram para a história e foram revolucionários: Duro de Matar, A Caçada ao Outubro Vermelho e O Predador. Em nosso comentário de hoje iremos falar sobre O Predador.
Segundo trabalho de John McTiernan para o cinema. Mctiernan juntou-se ao produtor Joel Silver (Máquina Mortífera) e conseguiu reunir um elenco de peso com nomes como Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers (Rocky), Bill Duke (Comando Para Matar), Jesse Ventura (O Sobrevivente), Shane Black (Robocop 3) e Sonny Landham (Ação Total), entregando um filme simples e objetivo, bem dirigido e bem produzido com o melhor do que o cinema dos anos 80 tinha a entregar.
Um dos pontos mais interessantes em O Predador é que mesmo tendo seu nome em destaque nos cartazes e no elenco principal, Arnold Schwarzenegger não é o astro principal dessa produção. O verdadeiro astro é o alienígena que dá nome ao título, O predador em pessoa. Um alienígena ao mesmo tempo complexo e tecnológico simplesmente um caçador que vai atrás de suas presas simplesmente por prazer. Os roteiristas irmãos Jim e John Thomas conseguiram entregar um filme que agradou a quase toda crítica e ainda deu uma ótima lucratividade à seus realizadores.
O Predador teve um orçamento que variou entre US$ 15 milhões e US$ 18 milhões. Conseguiu arrecadar nos EUA e no Canadá US$ 59,735,548,00(60,8% ) e cerca de 38,532,910,00(39,2%l) no resto do mundo, terminando sua carreira no cinema com aproximadamente 98,268,458 entrando para os cofres da 20th Century Fox. Dado o orçamento relativamente modesto vs a arrecadação mundial podemos concluir que o filme foi financeiramente bem-sucedido, terminando 1987 em 8ª colocação dos filmes mais rentáveis daquele ano.
Para representar a criatura foi escalado originalmente o ator Belga Jean Claude Van Damme, que chegou a filmar algumas cenas. Mas seu tamanho abaixo do padrão do resto do elenco não o ajudou muito e também suas incessantes reclamações da limitação de movimentos devido ao traje da criatura. Ainda bem que não deu certo, pois em seu lugar entrou o ator Kevin Petter Hall. Para quem não se lembra Kevin Petter Hall fez algum sucesso por aqui com a série Curto Circuito.

O design da criatura ficou por conta de Stan Winston e teve intervenção criativa de James Cameron (por exemplo, nas mandíbulas da criatura). Suas mandíbulas, dreadlocks e armadura, além dos efeitos ópticos de invisibilidade e visão térmica, elevam o patamar de O Predador e podemos classificá-lo bem mais além de um simples “filme de ação que passa na selva”.
O Predador foi lançado em 1987, bem no final da Guerra Fria, quando os Estados Unidos ainda viviam o baque do Vietnã e estavam profundamente envolvidos em operações secretas na América Central, apoiando governos e grupos armados anticomunistas.
Quando Schwarzennegger derrota o Predador com táticas primitivas (lama, armadilhas, paus e pedras), é o homem “natural” vencendo o invasor “mecanizado”. Isso representa a vitória simbólica da humanidade sobre a máquina, da natureza sobre a técnica. Nos anos 80, o cinema de ação vendia a imagem do homem indestrutível (Schwarzenegger, Stallone, Van Damme).
O Predador desconstrói esse arquétipo: todos os soldados supermusculosos morrem, e só resta o líder quando ele abandona as armas e depende da inteligência e instinto de sobrevivência.
É a morte do herói invencível, substituída pelo sobrevivente humano.
O Predador é muito mais que um filme de ação: é um mito moderno sobre poder, tecnologia e instinto, disfarçado de entretenimento.
É ao mesmo tempo uma celebração e crítica da cultura de guerra dos anos 80 — um espelho brutal da arrogância humana diante do desconhecido.
Minha nota para esse filme é:
