
Francis Lawrence é um diretor interessante. A cada trabalho seu que nos é apresentado, nós (o público) somos transportados para um universo alternativo, uma realidade distópica que serve como ponto de reflexão para a nossa própria sociedade e nossos próprios valores. Não poderia deixar de ser diferente com seu novo filme, A Longa Marcha, que tem lançamento programado para 18 de setembro nos cinemas Brasileiros.
Baseado em um livro de Stephen King (Christine, O Iluminado, A Tempestade do Século) que juntamente com JT Molner (Criminosos e Anjos) assina o roteiro. A princípio não recebi com entusiasmo, porque mesmo sendo um dos escritores mais adaptados para o cinema de que temos notícias, quando ele próprio adapta seus livros para o cinema, o resultado não cai no agrado do público. Ainda bem que não foi o que aconteceu com A Longa Marcha.
No elenco dessa produção, temos: Cooper Hofman (Licorice Pizza), David Johnsson (Alien Romulus), Mark Hamill (Guerra nas Estrelas), Judy Greer (Halloween Kills) e Ben Wang (Karate Kid Lendas).
A Longa Marcha aborda o tema dos limites de todos nós. Até onde eles vão? O diretor mostra a devastação da sociedade após uma guerra que destruiu o que já foi uma grande nação, onde se tornou preciso um absurdo concurso anual para que se consiga eleger um herói em uma sociedade decadente, hipócrita e quase que fracassada em sua totalidade. Luto, vingança, demônios pessoais, novas amizades formadas sob pressão, são apenas alguns dos temas abordados nessa produção propositalmente monótona e lenta aonde poucos entenderão a real mensagem que o diretor quis passar para o público. Francis Lawrence para quem não se lembra, é o diretor de todos os capítulos da cinessérie Jogos Vorazes.

A Longa Marcha, embora seja um “jogo” imposto, funciona como metáfora — de regimes totalitários, do espetáculo da dor, da natureza humana quando levada ao extremo.O filme busca manter-se relativamente fiel ao espírito da obra de Stephen King: brutalidade, monotonia, pressão psicológica. Algumas diferenças foram adaptadas para poder fazer caber o filme na linguagem do cinema. E uma pequena mudança até entendível do ato final que não prejudicou em nada o resultado entregue.
A ambientação é sombria e opressora, aonde o clima distópico é presença constante. A sensação de cansaço físico e mental é buscada visualmente, no cenário, nas expressões, até mesmo no ritmo, como citei anteriormente. A violência mostrada é explícita e não poupa em nada o expectador. As mortes, o desgaste corporal, a decaída dos personagens — tudo isso é mostrado de modo a impactar, e impacta sem o menor constrangimento e o ritmo lento do filme serve para reforçar a ideia do martírio, da prova de resistência não apenas física, mas mental.
Francis Lawrence nos leva a refletir sobre até onde vai a responsabilidade individual em contextos de opressão. Até quando somos capazes de resistir, quando é a hora de desistir e que sacrifícios temos que fazer ou do que temos que abrir mão em nome da justiça ou vingança.
Minha nota para esse filme é:

Sensacional!!!!! Quero assistir