
Quando eu digo e digito que os trailers de hoje acabam completamente com a experiência de um filme no cinema, seja o “vendendo” de forma equivocada ou seja entregando as cenas principais fazendo com que muitas produções percam totalmente a graça de serem conferidos e fazendo com que muitos expectadores deixem de ir ao cinema devido a essa grave falha. Poucas pessoas acreditam e muitas pessoas acham que eu estou exagerando a essas afirmações. Mas é exatamente isso que acontece com M3gan 2.0, novo lançamento da Universal nos cinemas. Continuação de M3gan, produção de 2022 e que foi lançada em nossos cinemas no início de 2023 e que, diga-se de passagem, consegue ser mais interessante que sua predecessora primeira parte que teve um orçamento de 12 milhões e arrecadou 181 milhões. Com esses números, era claro e evidente que iríamos ter uma sequência.
Novamente dirigido por Gerard Johnstone que além de comandar essa produção também foi um dos responsáveis pelo roteiro juntamente com Akela Cooper do interessante Maligno e James Wan de A Freira 2 e Aquaman 1 e 2. Os roteiristas resolveram dar um enfoque completamente diferente ao da primeira parte que funcionou muito bem e cumpriu seu papel em dar o recado nos alertando sobre os perigos do uso abusivo e sem controle da inteligência artificial de forma divertida em que o preço do ingresso não é um desperdício como vendido erroneamente pelo trailer vinculado.
Para o elenco voltam as insosas atrizes Allison Williams e Violet McGraw como a dupla principal de tia e sobrinha responsáveis pelo desenvolvimento de M3gan. E completando o elenco, Ivanna Sakhno como a adversária atualizada de M3gan, a robô assassina Am3lia. Sábia decisão da produção em usar o mesmo elenco insoso e barato da primeira parte e torrar todo o resto do orçamento de 25 milhões, que é quase nada para os padrões hollywoodianos de hoje, nos efeitos.

A primeira parte peca em alguns aspectos como em ter um primeiro ato longo em demasia e não consegue se decidir qual rumo tomar prejudicando o andamento da produção. Erro esse, corrigido nessa sequência aonde uma introdução deixou de ser necessária para que o roteiro fosse focado na trama principal que toma um rumo completamente diferente de seu predecessor e que funciona muito bem, acrescentemos.
Poucos críticos conferiram essa produção e o resultado tem dividido as opiniões. 58% de aprovação segundo o site Rotten Tomatoes. Vamos esperar mais algumas semanas de exibição para ver se esse número melhora ou piora. Pela minha experiência deve piorar, pois acredito que o público não vai entender a proposta dessa sequência e vai interpretá-la de forma errada. Mas a minha opinião, como já citei é que M3gan 2.0 vale sim o preço do ingresso e é um ótimo entretenimento aonde um dos únicos pecados é querer tentar discutir filosoficamente através de frases prontas o perigo iminente da ética no uso da inteligência artificial.
Várias referências de outras produções foram usadas como base para o roteiro de M3gan 2.0: O Exterminador do Futuro 2, Lucy, Ai. Além de uma pequena homenagem a uma das séries mais icônicas dos anos 80, que somente a velha guarda conseguirá captar pois foi mostrada de maneira bastante sutil durante o filme. E também não posso deixar de registrar as referências aos filmes bons e assistíveis do início da carreira do ator Steven Seagal.
Minha nota para esse filme é:
