Todos nós temos nossos preconceitos cinematográficos. Esse é um fato inegável. Há aqueles que não gostam de drama, outros não gostam de comédia, tem pessoas até que só assistem a algum filme ou por indicação ou na esperança que o sono chegue para uma tranquila noite de sono. Outro fato inegável é que todo mundo que já assistiu a algum filme algum dia se enganou quanto a qualidade ou não de um filme assistido, mesmo que a pessoa não seja fã do gênero escolhido.

Foi isso o que exatamente aconteceu comigo quando recebi o convite da cabine do filme Verdade e Traição que tem como tema central a II Grande Guerra. Não costumo ver muitos filmes com essa temática. Verdade e Traição é o terceiro filme do promissor e pouco conhecido diretor Matt Whitaker de Santos ou Soldados que também é responsável pelo roteiro ao lado de Ethan Vincent. Outro ponto positivo do trabalho do diretor é fazer com que esse filme não pareça ser uma produção Americana.

Para o elenco de Verdade ou Traição foram escalados os jovens e iniciantes atores Ewan Horrocks que tem poucos trabalhos tanto no cinema quanto na TV e Ferdinand McCkay que tem em Verdade e Traição o seu 4º trabalho atrás das câmeras. O mais conhecido jovem ator do trio central é Rupert Evans de O Boneco do Mal e da excelente série O Homem do Castelo Alto.

Verdade ou Traição é um drama histórico ambientado na Alemanha nazista, baseado na história real de Helmuth Hübener — um adolescente que desafia o regime ao divulgar informações contra o nazismo. Após adquirir um rádio de ondas curtas no mercado negro ele fica a par do que realmente está acontecendo e se dá conta de que obedecer ao Estado significa colaborar com a mentira que os nazistas pregavam.

O diretor Matt Whitaker tenta (e consegue) nos mostrar que no momento em que a verdade entra em conflito com o poder, a moral individual se torna um ato político. Mesmo essa verdade sendo frágil e perigosa, ela pode ser poderosa.

Filme Verdade & Traição: a história real que emociona e mostra a coragem de um jovem contra o nazismo - Giro por ai

Verdade e traição nos mostra como o controle dos nazistas para a não divulgação da informação era rigoroso. Falho, mas rigoroso. Tanto que mesmo com a proibição do rádio, o jovem Helmuth Hübener era contra e sabia que a pregação nazista era totalmente errada. Isso fica bem claro para ele após o “desaparecimento” de seu melhor amigo pelo simples fato de ser Judeu.

A mensagem mostrada em Verdade e Traição ainda permanece atual: os sistemas mudam, mas a necessidade de coragem individual permanece. Hoje, estamos precisando de mais jovens e adultos que tenham essa mesma coragem para desmascarar governos que somente atuam em causa própria e não ligam nada ou quase nada (apenas para dar uma satisfação mínima) para seu povo.

Ao lidar com um tema tão sério e delicado, o diretor Matt Whitaker deveria ter ousado um pouco mais ao mostrar as atrocidades nazistas, ao invés disso ele optou por uma narrativa bem tradicional e uma fórmula que funciona. E isso levanta a seguinte pergunta: A verdade vale o preço da vida? De acordo com o filme, sim , porque viver na mentira não é viver plenamente. Mas essa resposta não é universal e é exatamente aí que faltou um pouco de ousadia do diretor.

Quer queiramos ou não, nas suas devidas proporções,  estamos vivendo algo parecido em nosso país nos dias de hoje, pois é o Estado controla quase toda a informação. Existe uma “verdade oficial” e quem não concordar com essa verdade é tratado como inimigo. Nos tempos antigos tínhamos um difícil acesso a informação em geral. Hoje, está cada vez mais difícil saber em qual informação podemos confiar.

Mesmo não estando indo em direção da tirania direta, estamos cada vez mais cultuando a naturalização do absurdo. E se formos entrar na seara da polarização as conclusões são ainda mais preocupantes, pois no filme você só era permitido estar de um lado e hoje estamos vivendo dois ou mais lados altamente polarizados e isso causa efeitos semelhantes ao daquela época como: a redução do diálogo cada vez mais e ao aumento da radicalização.

Mesmo a nossa realidade não ser o contexto do filme fica um alerta, uma reflexão e uma advertência que sistemas não se tornam autoritários de uma vez, eles se constroem aos poucos, com pequenas concessões. E os elementos mostrados no filme podem também aparecer em democracias, e mesmo não sendo um espelho nosso fica o aviso: quando a verdade vira apenas opinião, o terreno para manipulação já está preparado.

Minha nota para esse filme é: