
Já faz um bom tempo que eu digo em meus comentários e minhas críticas que o cinema estadunidense desaprendeu a realizar comédias. Quando falo de comédias são as comédias inteligentes e não as famosas comédias idiotas que desafiam a inteligência do público assistente todos os meses. Comédia inteligente é aquela que os atores não atuam como se estivessem em um filme de comédia. E é essa justamente a ideia central do novo filme do diretor Norueguês Kristoffer Borgli do interessante O Homem dos Sonhos com Nicolas Cage.
Além de dirigir, Borgli também assina o roteiro que traz Robert Patinson (Tenet) e Zendaya (Duna e Rivais) no elenco principal. Para completar o elenco dessa comédia de humor negro temos Alana Haim (Licorice Pizza) e Hailey Gates (Rivais). A trama de O Drama gira em torno de um casal aparentemente perfeito cuja relação entra em colapso dias antes do casamento, após a revelação de um segredo perturbador.
O Drama explora com bastante profundidade a paranoia e a ruptura da confiança, fugindo do romance tradicional e aprofundado nossos medos, desconfianças e paranoias do caos mundano que vivemos. Você nunca acha que conhece totalmente a pessoa com a qual está prestes a dividir o resto dos seus dias. E esse sentimento está cada vez mais aflorado nas pessoas.
O Drama consegue desmontar a ideia de “casal perfeito”. A produção tenta provar que isso não existe mais. O amor aqui é mostrado como sendo uma construção muito, mas muito frágil, deixando aquela pergunta que não quer calar bem clara e aparente: Você realmente ama a pessoa….ou ama a ideia dela?

O Drama faz uma crítica direta a cultura da imagem (redes sociais, status, etc…). O diretor Kristoffer Borgli tem um humor bastante peculiar e isso ajuda bastante essa “dramédia” , tornando-a uma produção inteligente e interessante que foge um pouco dos padrões holywoodianos do cinema atual.
O Drama é um filme difícil e acredito que não vai ser bem recebido pelo público que está a fim de passar o tempo vendo um filme leve. A produção até que começa bem leve, mas tem um tenso segundo ato e um final meio que desconfortável. Após a trama ser revelada o diretor tenta mostrar que o grande durâmen não é a revelação do segredo em si, mas os desdobramentos que acontecem após essa revelação, tentando mostrar que o amor perfeito nos relacionamento de hoje não existem mais. Ninguém conhece mais ninguém completamente, conhecemos apenas versões parciais das pessoas com as quais estamos e que o amor pode….ou não sobreviver quando confrontado com a verdade.
Minha nota para esse filme é:
