
Não tem como não sairmos impressionados do visual apresentado por James Cameron no novo capítulo da cinessérie Avatar. Neste novo capítulo da saga da família Sully, nós, o público ficamos conhecendo um pouco mais do impressionante mundo de Pandora. E esse foi exatamente o problema com essa produção: James Cameron apostou na repetição da fórmula a ousadia de uma trama nova.
Se Avatar (2009) era sobre descoberta e Avatar – O Caminho da Água (2022) era sobre luto e pertencimento, Avatar – Fogo e Cinzas tende a ser sobre quando povos que vivem em harmonia são obrigados a ter que reagir com fúria. Pandora deixou de ser aquele “paraíso” mostrado nas primeiras edições e passa a ser dragado para o mundo impuro dos humanos que só visam o lucro a qualquer custo e cuja única ideologia é saquear, conquistar e escravizar, jamais compartilhar o conhecimento.
Avatar – Fogo e Cinzas toca em um ponto sensível e atual que questiona se a violência é justificável quando nasce da sobrevivência de sua espécie. A batalha aqui não é apenas contra o invasor, mas também contra o ódio que existe dentro de nós e é libertado por qualquer que seja o sofrimento que venhamos a passar. O filósofo Nietzche lembra muito bem isso quando afirma que “Quem luta com monstros deve tomar muito cuidado para não se tornar um deles.”, pois jamais retornamos ao nosso estado original após uma grande perda ou um grande trauma.

O elenco de Avatar – Fogo e Cinzas continua o mesmo das edições anteriores. Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Kate Winslet e Jack Champion retornam e estão mais a vontade no núcleo dos “do bem”. Stephen Lang, Giovani Ribisi, Eddie Falco e Brendan Cowell retornam como os “vilões” com a ótima adição de Oona Chaplin que está perfeita como Varang, a Rainha do fogo e um dos grandes acertos dessa produção.
Como citei anteriormente, o trabalho dos roteiristas James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver deixou bastante a desejar pois foi preterida a repetição de uma fórmula que não sei se dará tão certo quanto as predecessoras edições. Mesmo com um visual impressionante (já era de se esperar) e uma Pandora ainda mais detalhada, Avatar – Fogo e Cinzas peca em algumas passagens de sua montagem, com cortes precipitados, diálogos fracos e um final bastante previsível. Mas, mesmo errando nesses itens importantíssimos da produção, James Cameron acerta no ritmo e consegue tornar esse capítulo da saga bem menos cansativo que o filme anterior, que tem cerca de 10 minutos a mais de projeção.
Avatar – Fogo e cinzas trata o fogo de forma ambígua, pois ao mesmo tempo que ele assume a figura da grandeza que assusta e impressiona, também toma a forma de uma amplidão que oprime e destrói tudo por onde passa, nivelando os vencedores e os vencidos a um mesmo patamar.
Ao final de suas mais de 3 horas de projeção, Avatar – Fogo e Cinzas é uma experiência que ainda sim vale a pena ser assistida no cinema e de preferência no formato IMAX 3D. Perde-se muito da percepção se assistido em uma sala digital “normal”. Se o espectador puder optar por esse formato, ou até mesmo por uma sala THX ou MACRO, vá sem hesitar, pois a experiência é diferente se conferida nesses formatos já que esse terceiro capítulo tem uma linha bem fina entre o bom e o mediano.
Minha nota para esse filme é:
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Adorei! Suas opiniões sempre bem embasadas já dizem ao expectador o que esperar. Vou conferir.