Ficheiro:Halloween logo.svg – Wikipédia, a enciclopédia livre

De tempos em tempos no curso da história do cinema são lançados filmes que: ou redefinem o modo como vemos certo gênero, ou chega um diretor com uma perspectiva totalmente nova ou uma nova visão de uma ideia já cansada que dá novo fôlego a muitos filmes nos cinemas. Exemplo perfeito disso é o filme Halloween – A Noite do Terror. Produzido de forma independente em 1978 por Debra Hill e John Carpenter com orçamento bastante  reduzido (pouco mais de 300.000 dólares), tornou-se um dos casos de rentabilidade mais umbráteis da história do cinema americano, arrecadando mais de 70 milhões no mundo, tornando-se um dos filmes independentes mais lucrativos da história do cinema moderno.

Na década de 70, o gênero de terror vivia uma transição: o horror sobrenatural e psicológico, que começou a fazer muito sucesso nos anos 60 (com Psicose) começava a dar lugar a narrativas mais urbanas, apostando em serial killers e violências domésticas. Halloween – A Noite do Terror solidificou essa mudança e praticamente redefiniu o subgênero slasher, que nada mais é um subgênero do terror caracterizado por um assassino psicopata que persegue e mata violentamente um grupo de pessoas, geralmente jovens.

A trama de Halloween – A Noite do Terror é bem simplória: Na  pacata e fictícia cidade de Haddonfield, Illinois. Em 1963, o jovem Michael Myers, de apenas 6 anos, assassina brutalmente sua irmã mais velha na noite do Dia das Bruxas. 15 anos depois, ele escapa do hospital psiquiátrico e retorna à Haddonfield, sua cidade natal, onde começa a perseguir a jovem Laurie Strode (interpretada pela jovem atriz Jamie Lee Curtis em seu papel de estreia no cinema).

Halloween | Ordem cronológica e onde assistir a todos os filmes da franquia  - Ingresso.com

O diretor John Carpenter concebe Michael Myers não como um ser humano, mas como uma “força elemental do mal” — ele é chamado apenas de The Shape (A Forma) nos créditos. Sua ausência de motivação o torna ainda mais assustador: é o mal sem causa, sem lógica, sem remorso. Ele existe simplesmente por existir.

Adicione a isso, o ambiente suburbano típico do Americano, normalmente símbolo de segurança com ruas calmas, vento, passos, apenas isso e nada mais. O filme raramente “explica” o medo pelo áudio; ele o deixa ecoar. E isso se torna o perfeito cenário do terror. A ideia de que o mal pode surgir dentro do lar, sem o menor aviso, é uma dos grandes aportes que torna Halloween – A Noite do Terror, um filme tão importante para o cinema de terror.

A trilha sonora, composta pelo próprio John Carpenter, é minimalista, envolvente e funciona como um marcador da presença do mal, quase como uma extensão da respiração de Michael. Outro ponto que também chama bastante a atenção é a fotografia de Dean Cundey, pois uso de planos longos e também o uso da steadicam (um sistema de estabilização de câmera que isola o movimento do operador para obter imagens fluidas e sem trepidações, combinando a estabilidade de um tripé com a mobilidade de uma câmera de mão) cria uma sensação de vigilância constante — como se o espectador fosse cúmplice do assassino.

Outro ponto bastante interessante em Halloween – A Noite do Terror é que a violência raramente é gráfica. O suspense nasce de antecipação e frustração do olhar ,onde vemos apenas o necessário.

Halloween – A Noite do Terror é muito mais do que um filme de terror, é um exercício de atmosfera, ritmo e alvitre. Com pouquíssimos recursos, John Carpenter criou uma obra-prima que redefiniu o medo no cinema. Sua força não está apenas no que mostra, mas no que sugere. Na presença quase invisível de algo que espreita nas sombras e não vai parar até pegar você.

Minha nota para esse filme é: