
Luc Besson é um dos diretores mais inconstantes do cinema moderno. Mesmo sendo um diretor plural, os trabalhos entregues por ele no cinema sofrem uma desconformidade absurda. Motivo pelo qual nunca sabemos o que iremos assistir quando nos deparamos com suas produções nos cinemas. Para afirmar essa minha breve introdução, confira alguns filmes dirigidos por ele que valem ser vistos e revistos: A Imensidão Azul, O Profissional, O Quinto Elemento, a primeira versão de Nikita e Joana D’arc. O mesmo gênio que comandou essas grandes produções citadas também nos entregou: As Múmias do Faraó, Subway (um de seus primeiros e mais confusos trabalhos), Lucy, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (uma ficção bem fraquinha) e o recente June e John. Além desses também temos os medianos Anna O Perigo Tem Nome, o bonzinho A Família e a interessante trilogia de Arthur e os Minimoys.
Menos mal, ele acertou mais do que errou em sua flutuante carreira cinematográfica. Ainda bem que ele volta a acertar em sua mais nova incursão nos cinemas com sua mais nova produção Drácula – Uma História de Amor Eterno que narra a origem de um dos personagens mais fascinantes do gênero de terror da história do cinema, o Conde Drácula.
Para quem não conhece sua origem, Drácula foi criado por Bram Stoker. Ele é um vampiro imortal que vive em um castelo na Transylvania e se alimenta de sangue, na maioria das vezes de humanos, para sobreviver e espalhar seu reinado de terror. O personagem de Drácula foi inspirado em Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido por sua crueldade e métodos de punição, como o empalamento (método de tortura que consiste na inserção de uma estaca que atravessa o corpo de suas vítimas). O nome “Drácula” foi derivado do título “Dracul”, que significa “dragão” ou “diabo” em romeno antigo, e foi herdado de seu pai, Vlad II.
Desde os anos 20 o cinema tem lançado filmes a respeito dessa lendária figura. Os mais famosos são: Nosferatu (1922), Drácula (1958) com Christopher Lee, Drácula de Bram Stoker (1992) com Gary Oldman e Drácula (1931) com Bela Lugosi que foi uma das primeiras produções faladas sobre o Conde Drácula no cinema.
Uma das peculiaridades que me chamou atenção nessa produção é o modo de como Luc Besson resolveu contar a história. Uma maneira que me deixou muito satisfeito. Satisfação essa que foi a mesma sentida quando conferi a produção Drácula – A História Nunca Contada de 2014. Uma narrativa que conta a motivação e as escolhas que levam o Conde Vlad III a se tornar o Conde Drácula.

Drácula – Uma História de Amor Eterno foi roteirizado pelo próprio Luc Besson. Baseado totalmente na obra de Bram Stoker. Ainda não foi divulgado o orçamento dessa produção, mas seja qual tenha sido o valor foi tudo muito bem gasto. Principalmente nos quesitos design de produção, maquiagem e figurino. Agora, uma dica importante: Drácula – Uma História de Amor Eterno é um filme para se ver no cinema, pois é um filme escuro devido a maravilhosa escolha da paleta de cores usada pelo diretor e que nos leva até Paris dos anos de 1890. Uma atmosfera lúgubre e foguenta aonde apenas será totalmente apreciada e sentida se visto de prima em uma sala de cinema. Vale sim, o preço do ingresso.
No elenco principal temos o excelente ator Christopher Waltz de Django Livre, 007 Contra Spectre e Bastardos Inglórios, Caleb Landry Jones de Projeto Flórida, 3 Anúncios Para um Crime e Corra!, a Espanhola e não muito conhecida por aqui Matilda de Angelis da série Citadel e do longa Roubando Mussolini e Ewens Abid da série Andor.
Um dos poucos deslizes cometidos pelo diretor Luc Besson foi o de não ter escalado atores mais experientes para entregar a dramaticidade exigida para o casal protagonista. Caleb Landry Jones e Matilda de Angelis não estão ruins, mas faltou um pouco mais de experiência dramática em suas interpretações, na minha opinião.
Drácula – Uma História de Amor Eterno está programado para entrar em cartaz nos cinemas no dia 7 de Agosto. Quem gosta do gênero e quer ver uma história já muito conhecida contada por um ponto de vista diferente dos normalmente apresentados no cinema, pode ir tranquilo, pois essa produção vale a pena.
Minha nota para esse filme é:
Opa ! Vou querer ver ! Parabéns pela crítica ! Ficou excepcional ! Como sempre !