
Ryan Coogler vem se revelando a cada filme entregue como um dos melhores e mais ecléticos diretores dessa nova geração. Foi ele o responsável pelo estrondoso sucesso de Pantera Negra que arrecadou mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria. Também foi o comandante do primeiro capítulo da série Creed que deu um novo fôlego para a desgastada franquia Rocky nos cinemas. Em Pecadores, seu mais novo trabalho nos cinemas, ele consegue entregar um excelente conto de terror ousado e diferente, que foi realizado não para o público em geral, mas para quem aprecia uma boa aula de cinema e quem é exigente com o gênero terror, um gênero que está muito banalizado atualmente e é difícil vermos uma excelente produção como essa, ser lançada em nossos cinemas.
Não é muito difícil para que um filme dê certo. Basta que haja um comprometimento de toda a equipe de atores, diretor e equipe técnica para que a fórmula funcione e entregue, além de um bom filme, um produto rentável para que atenda as necessidades financeiras dos estúdios (que basicamente é só isso que a maioria almeja) e as necessidades do público em ser agraciado com um bom filme, principalmente no gênero terror e suspense, que tem desagradado bem mais do que agradado esses últimos anos.
Ryan Coogler conseguiu entregar essas duas vertentes e também galgou mais alguns degraus na difícil e concorrida carreira de direção na Hollywood de hoje. Posso dizer, sem o menor medo de errar que Ryan Coogler é um diretor plural que não importa o gênero que caia em suas mãos, o resultado vai ser um grande espetáculo entregue. Mesmo quando as chances não estão a seu favor, como foi o caso de Pantera Negra – Wakanda Para Sempre, ele ainda conseguiu entregar um filme bom com um roteiro não tão bom assim.

Para o elenco de Pecadores temos o excelente Michael B Jordan que está perfeito fazendo um papel duplo, Milles Canton arrasando em seu primeiro trabalho para o cinema, Delroy Lindo também entregando um ótimo trabalho, como sempre e até mesmo a cantora e atriz Hailee Stanfield que entrega um ótimo trabalho. Quando um diretor é bom mesmo, ele consegue fazer atores medíocres e ruins entregarem um ótimo trabalho em suas produções. Até hoje, em Hollywood, só conheço três com essa capacidade: Quentin Tarantino (o melhor), Christopher Nolan e Ryan Coogler. Aqui no Brasil só temos um, até agora, capaz desse feito que é Guel Arraes de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, Sertões, Romance e Caramuru.
Ryan Coogler gastou muito bem os 90 milhões de orçamento que lhe foram confiados. Os efeitos visuais estão impecáveis, principalmente quando Michael B Jordan está contracenando com ele próprio. A parte gore do filme não é nenhum pouco exagerada e faz parte do universo criado pelo diretor Ryan Coogler que também assina o roteiro. A trama é ambientada no Delta do Mississipi nos anos 1930 e consegue muito bem consubstanciar um drama histórico e um conto de terror com vampiros que é usado como metáfora para o racismo e exploração cultural. No decorrer do filme fica claro e notório os conflitos entre o cristianismo e outras religiões afro-descendentes tendo o personagem de Milles Canton como personagem central e não de Michael B Jordan como foi vendido. Não me recordo de outra produção tão venusta como essa ter usado o vampirismo como metáfora da exploração cultural, aonde o trio central de vampiros é de etnia branca e tenta a todo custo absorver e corromper predatoriamente a cultura e criatividade negra através de sua música e seus costumes. Uma fusão ousada e audaciosa entre os gêneros terror, musical e drama bastante ampla e profunda.
Outro ponto a se destacar é a trilha sonora criada pelo compositor Ludwig Göransson, que trabalhou em colaboração com o diretor na seleção e composição das músicas, buscando autenticidade e atmosfera para a década de 1930, onde o filme se passa. É uma trilha sonora tão envolvente que podemos considerá-la como narrativa e linguagem usada durante todo o filme. Ludwig Göransson também é compositor de “apenas”: Oppenheimer, Pantera Negra, Tenet e O Mandaloriano (acho que não é preciso mais referências, não é?).
Além de uma belíssima trilha instrumental, Pecadores tem um ligame de blues, folk irlandês, gospel, jazz e soul, todas executadas na tela sem exagero com a colaboração dos cantores Miles Caton, Brittany Howard, Rod Wave, James Blake, Bobby Rush, Cedric Burnside, Don Toliver, Rhiannon Giddens, Hailee Steinfeld, Jerry Cantrell, Buddy Guy.
Pecadores fez muito sucesso e foi muito bem recebido por onde foi exibido. O Rotten Tomatoes, um dos maiores sites de críticas da internet o avaliou com uma aprovação de 97% por parte da crítica especializada e cerca de 98% de afirmações positivas por parte do público. Recebeu nota A no Cinemascore, um site que registra a receptividade do público na saída das sessões. A melhor avaliação para um filme de terror em 35 anos. Recebeu uma nota de 84 de 100 do Metacritic, outro importante site de críticas da internet.
Ryan Coogler conseguiu transformar os 90 milhões investidos na produção em quase 366 milhões de bilheteria mundial. E só não arrecadou mais, porque, como mencionei antes, Pecadores é uma produção que não é para o público em geral. É um filme para quem gosta de cinema, como costumo relatar. Uma das boas produções de 2025 e fortíssimo candidato a lista dos 10 mais desse ano.
Minha nota para esse filme é

Muito bom seu ponto de vista. Tudo muito bem argumento.
Parabéns!!!!